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    INSÔNIA NA INFÂNCIA



    A insônia na infância, quando comparada à insônia nos adultos, difere quanto à apresentação, à fisiopatologia e ao tratamento. É comum que os pais reclamem que seus filhos tenham dificuldade para ir para cama ou apresentem despertares frequentes à noite. Eles acabam ficando cansados e estressados com essa situação. No entanto, em muitas famílias a recusa em ir para cama e os despertares noturnos podem facilmente ser corrigidos com atitudes consistentes, enfatizando o estabelecimento de uma rotina.

    A principal forma de insônia na criança é a comportamental da infância. Trata-se de um diagnóstico de exclusão e, na abordagem inicial da criança com insônia, o médico sempre deve afastar causas clínicas. As mais comuns na infância são:
    • dor / cólica do lactente;
    • otites de repetição;
    • refluxo gastroesofágico;
    • medicações (por exemplo, estimulantes);
    • crises de asma noturna;
    • obstrução de vias aéreas.

    Uma vez descartadas as causas clínicas, a primeira hipótese a ser aventada é a insônia comportamental, que ocorre em 10% a 30% das crianças pré-escolares e é caracterizada pela dificuldade em adormecer e/ou manter o sono. Esses problemas estão associados com determinadas atitudes da criança ou dos pais e podem ser classificados em dois tipos: distúrbio de associação ou distúrbio de falta de limites.

    O distúrbio de associação geralmente ocorre entre 6 meses e 3 anos de idade. Nessa situação, existem certas condições relacionadas com o início do sono que são necessárias para que a criança adormeça no horário de dormir e volte a adormecer após cada despertar, que normalmente ocorre no decorrer da noite (por exemplo: chupeta, bichinho de pelúcia, etc.). Quando a condição associada ao sono está presente, a criança dorme rapidamente. Se está ausente, a criança apresenta despertares noturnos longos e frequentes. Geralmente, a prevalência dos despertares noturnos se reduz após os 3 anos de idade, porém o distúrbio de associação pode continuar em crianças com transtornos do desenvolvimento.

    O distúrbio da falta de limites caracteriza-se pela recusa em ir para a cama no horário de dormir. Quando os limites são definidos, as crianças tendem a adormecer fácil e rapidamente. Uma vez que a criança adormece, a qualidade do sono é normal e eles tendem a ter poucos despertares. Esse distúrbio está associado ao desenvolvimento da criança. Crianças em idade pré-escolar, que estão aprendendo a se tornar mais independentes durante o dia, frequentemente irão testar essa independência no horário de dormir.

    Fonte: Fleury